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Mulher – um sexo nada frágil *Por Karine Pansa

O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 08 de março nos leva a uma breve retrospectiva da evolução de nosso papel na sociedade. Esta comemoração iniciada na Rússia, graças às reivindicImageações femininas pela igualdade social, melhores condições de trabalho e o fim dos abusos, marcou o início da Revolução de 1917. É com muita clareza que se pode concluir que há tempos, a ideia de sexo frágil ou submisso não cabe no contexto do mundo atual. Escrevo este artigo direto de Nova Iorque, em uma reunião da American Publishers Association, e fico feliz com o número de mulheres presentes a este importante encontro.

As mudanças são visíveis. A figura feminina está na liderança dos principais países europeus e pela primeira vez aqui no Brasil. Está à frente da Academia Brasileira de Letras, inserida em importantes postos no mercado de trabalho e, também nas universidades. Apesar de todo esse avanço o desafio é equilibrar amor, filhos e família, com carreira e outros inúmeros afazeres. Nós mulheres somos flexíveis e hoje lutamos por nosso espaço, sinônimos de inspiração.

Em meio a tantas tarefas – que se dividem entre as relações interpessoais, a casa, o trabalho e o tempo para si – a “supermulher” ainda tem um papel muito importante: incentivar o hábito de ler dos filhos. Eu como mulher, presidente do Instituto Pró-Livro e mãe de dois queridos, também exerço um grande papel de incentivadora de leitura em minha casa. Não porque os livros fazem parte do meu trabalho, e sim porque penso que a leitura é a mais rica fonte de conhecimento e desenvolvimento.

Porém, como em casa de ferreiro o espeto é de pau, eu luto com as minhas crianças para que elas curtam o momento de leitura. Mesmo sendo uma editora de livros infantis me sinto, muitas vezes, incapaz de estar em sintonia com seus interesses! As crianças de hoje vivem em mundos tão distintos daquele que nós imaginamos que fica difícil acertar o que lhes agrada.

Segundo a última edição da pesquisa Retratos da Leitura do Brasil, encomendada pelo Instituto Pró-Livro (IPL) em 2012, ao Ibope Inteligência, as mães estão entre as principais incentivadoras do hábito de ler dos filhos (43%) e, só têm uma pequena desvantagem perante os professores (45%). Não é a toa que a pesquisa ainda aponta que a idade em que os leitores mais leram na vida é até os 14 anos, representando 35% – fase em que, além da escola, os pais exercem muita influência sobre a educação dos filhos.

Toda essa influência está atrelada ao exemplo. Ainda de acordo com a pesquisa, a frequência com que os leitores sempre viam a mãe lendo em casa é de 22%, contra apenas 13% dos pais. Assim como o índice de leitura é maior entre as mulheres com 57%, contra 43% dos homens que são leitores.

É importante que, mesmo com a correria do cotidiano, essa cultura familiar e o exemplo dentro de casa continuem. O hábito criado desde a infância, até mesmo desde o útero da mãe, tende a não ser quebrado no futuro e, assim, passado para outras gerações. E, mesmo com os desafios pessoais, não podemos desistir desta importante tarefa.

O Instituto Pró-Livro gostaría de homenagear todas nós mulheres, que além de cuidarem de centenas de coisas, ainda exercem um papel que, direta ou indiretamente, pode fazer do mundo um lugar melhor. Esperamos que a figura feminina continue a ser essa referência, de fato uma inspiração, não só para os filhos, mas para a sociedade.

*Karine Pansa, Presidente do Instituto Pró-Livro e da Câmara Brasileira do Livro

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